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A cor da pelagem de vacas leiteiras influencia o seu comportamento em pastejo?

Pesquisadores observaram o comportamento natural das vacas leiteira em pastejo em situação de calor. A cor da pelagem pode influenciar nesse comportamento?

Publicado por: MilkPoint

Publicado em: - Atualizado em: - 3 minutos de leitura

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Em muitas regiões do Brasil, quando ocorre o aumento da temperatura, o ambiente térmico torna-se quente e úmido. Neste cenário é essencial garantir o conforto térmico das vacas leiteiras, pois este pode afetar diretamente o comportamento dos animais durante o pastejo. Nesse sentido, será que a cor da pelagem pode influenciar o comportamento animal em pastejo?

A radiação solar é um dos principais elementos que afetam o conforto térmico dos animais de produção. Durante o verão, a incidência de raios solares é intensa e pode causar desconforto térmico em vacas, sob exposição prolongada ao sol, pode ocorrer o aumento da temperatura corporal, o que resulta em queda no seu desempenho.

Para responder este questionamento um estudo foi realizado por (Silva et al., 2022), em uma fazenda de gado leiteiro, em Santarém – Pará, região de clima quente e úmido da Amazônia Oriental com 20 vacas em lactação (produção diária de 9L/vaca), da raça Girolando (5/8 H/G). Destas, 10 apresentavam pelame predominantemente preto e as outras 10 predominantemente branco, todas estavam no meio da lactação, em bom estado de saúde e não estavam prenhes.

Os pesquisadores observaram o comportamento natural desses animais em pastejo por 12 horas diárias, durante três dias consecutivos divididos em três turnos: manhã (6:00 às 9:55 h), intermediário (10:00 às 13:55 h) e a tarde (14:00 às 17:55 h). Os animais foram colocados todos em um único piquete de 3,5 hectares formado com capim humidicola, capim agulha (Urochloa humidicola), com o a sombra natural abundante, água e sal mineral a vontade. A temperatura do ar e a umidade relativa foram medidas a cada 15 minutos, para posteriormente realizarem os cálculos de índices de estresse térmico.

Ao final das avaliações, observou-se que em todos os horários estudados, os índices de estresse térmico indicaram estresse por calor, para bovinos leiteiros da raça Girolando. As vacas de pelagem preta aram mais tempo em atividades na sombra, em comparação as de pelagem branca. Os animais de pelagem clara permaneceram mais tempo ao sol, realizando seus comportamentos naturais (Silva et al., 2022).

Os animais de pelagem preta nas mesmas condições de pastagem e ambiente, necessitam de um tempo maior de pastejo e apresentam a atividade de caminhar sob a sombra das árvores mais evidente que as vacas de pelagem branca. Os comportamentos de ócio e ruminação na sombra são mais evidentes em vacas de pelagem branca. Outra observação interessante, é que as vacas de pelagem clara pastejam por mais tempo expostas ao sol, em comparação as vacas de pelagem escura (Silva et al., 2022). Este comportamento pode impactar na qualidade da forragem ingerida, devido a melhor estrutura do pasto ao pleno sol. 

Nesse sentido, a cor do pelame pode desempenhar um papel importante, visto que as vacas com pelagem preta têm maior capacidade de absorver a radiação solar, o que pode aumentar a temperatura corporal e, consequentemente, causar desconforto. Por outro lado, as vacas com pelagem branca refletem mais a radiação solar, o que pode ajudar a manter a temperatura corporal.

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Portanto, as vacas leiteiras apresentam mudanças em seu comportamento natural, quando expostas ao ambiente quente. Neste contexto, as vacas de pelagem preta têm maiores limitações termorregulatórias, quando expostas ao estresse por calor, do que as de pelagem branca.



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Autores:

Gustavo Segatto Borges - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Mara Regina Bueno Matos Nascimento - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ana Carolina Guimarães Fenelon - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ariadne Silva - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Fabiana O. Notário - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Lucas Vilaça - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ray César Silva - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Rosane Ribeiro - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ana Beatriz Inácio de Freitas - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Carolyne Dumont - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Sandra Gabriela Klein - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Thomas Abdo Costa Calil - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

 

Referência:

Silva, W. C.; Silva, E. B. R.; Santos, M. R. P.; et al. Behavior and thermal comfort of light and dark coat dairy cows in the Eastern Amazon. Front. Vet. Sci., v. 9, sep. 2022. https://doi.org/10.3389/fvets.2022.1006093

 
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Nathã Carvalho
NATHÃ CARVALHO

ALEGRETE - RIO GRANDE DO SUL

EM 10/06/2024

Os relatos, a princípio empíricos, dos produtores de Holandês Vermelho e Branco, é que elas são mais tolerantes ao calor e pastejam mais enquanto há sol, quando comparadas às Holandesas pretas e brancas.
Moyses Lourenço Bossi Lima
MOYSES LOURENÇO BOSSI LIMA

CARLOS CHAGAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/12/2023

O problema aí é que as vacas com partes brancas na parte superior do corpo são muito mais suscetíveis ao desenvolvimento de câncer de pele. A melhor opção à pelagem preta é a pelagem vermelha mas praticamente não existem estudos à respeito.
Mara Regina Bueno de Mattos Nascimento
MARA REGINA BUENO DE MATTOS NASCIMENTO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 19/12/2023

Bom dia, Moyses. Sim, vacas Holandesas preto e branca apresentam uma correlação entre cor da pele e a cor do pelame. Assim, no local de pelame preto, a pele é bem pigmentada, e onde o pelame é branco tem pele pouco pigmentada. Então, quando estão em sistema a pasto e a longo prazo poderá desenvolver câncer de pele.
Marcos Adelino de Oliveira Silva Fazenda perobas
MARCOS ADELINO DE OLIVEIRA SILVA FAZENDA PEROBAS

CARMO DO PARANAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/02/2024

Pois é, por isso o nelore é tão eficiente, pele preta e pelos brancos, uma pena que não é leiteiro.
Qual a sua dúvida hoje?

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A radiação solar é um dos principais elementos que afetam o conforto térmico dos animais de produção. Durante o verão, a incidência de raios solares é intensa e pode causar desconforto térmico em vacas, sob exposição prolongada ao sol, pode ocorrer o aumento da temperatura corporal, o que resulta em queda no seu desempenho.

Para responder este questionamento um estudo foi realizado por (Silva et al., 2022), em uma fazenda de gado leiteiro, em Santarém – Pará, região de clima quente e úmido da Amazônia Oriental com 20 vacas em lactação (produção diária de 9L/vaca), da raça Girolando (5/8 H/G). Destas, 10 apresentavam pelame predominantemente preto e as outras 10 predominantemente branco, todas estavam no meio da lactação, em bom estado de saúde e não estavam prenhes.

Os pesquisadores observaram o comportamento natural desses animais em pastejo por 12 horas diárias, durante três dias consecutivos divididos em três turnos: manhã (6:00 às 9:55 h), intermediário (10:00 às 13:55 h) e a tarde (14:00 às 17:55 h). Os animais foram colocados todos em um único piquete de 3,5 hectares formado com capim humidicola, capim agulha (Urochloa humidicola), com o a sombra natural abundante, água e sal mineral a vontade. A temperatura do ar e a umidade relativa foram medidas a cada 15 minutos, para posteriormente realizarem os cálculos de índices de estresse térmico.

Ao final das avaliações, observou-se que em todos os horários estudados, os índices de estresse térmico indicaram estresse por calor, para bovinos leiteiros da raça Girolando. As vacas de pelagem preta aram mais tempo em atividades na sombra, em comparação as de pelagem branca. Os animais de pelagem clara permaneceram mais tempo ao sol, realizando seus comportamentos naturais (Silva et al., 2022).

Os animais de pelagem preta nas mesmas condições de pastagem e ambiente, necessitam de um tempo maior de pastejo e apresentam a atividade de caminhar sob a sombra das árvores mais evidente que as vacas de pelagem branca. Os comportamentos de ócio e ruminação na sombra são mais evidentes em vacas de pelagem branca. Outra observação interessante, é que as vacas de pelagem clara pastejam por mais tempo expostas ao sol, em comparação as vacas de pelagem escura (Silva et al., 2022). Este comportamento pode impactar na qualidade da forragem ingerida, devido a melhor estrutura do pasto ao pleno sol. 

Nesse sentido, a cor do pelame pode desempenhar um papel importante, visto que as vacas com pelagem preta têm maior capacidade de absorver a radiação solar, o que pode aumentar a temperatura corporal e, consequentemente, causar desconforto. Por outro lado, as vacas com pelagem branca refletem mais a radiação solar, o que pode ajudar a manter a temperatura corporal.

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Portanto, as vacas leiteiras apresentam mudanças em seu comportamento natural, quando expostas ao ambiente quente. Neste contexto, as vacas de pelagem preta têm maiores limitações termorregulatórias, quando expostas ao estresse por calor, do que as de pelagem branca.



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Ana Carolina Guimarães Fenelon - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ariadne Silva - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Fabiana O. Notário - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Lucas Vilaça - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ray César Silva - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Rosane Ribeiro - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Ana Beatriz Inácio de Freitas - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

Carolyne Dumont - Programa de Pós-graduação em Ciências Veterinárias - Universidade Federal de Uberlândia

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Silva, W. C.; Silva, E. B. R.; Santos, M. R. P.; et al. Behavior and thermal comfort of light and dark coat dairy cows in the Eastern Amazon. Front. Vet. Sci., v. 9, sep. 2022. https://doi.org/10.3389/fvets.2022.1006093

 
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EM 10/06/2024

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Moyses Lourenço Bossi Lima
MOYSES LOURENÇO BOSSI LIMA

CARLOS CHAGAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 18/12/2023

O problema aí é que as vacas com partes brancas na parte superior do corpo são muito mais suscetíveis ao desenvolvimento de câncer de pele. A melhor opção à pelagem preta é a pelagem vermelha mas praticamente não existem estudos à respeito.
Mara Regina Bueno de Mattos Nascimento
MARA REGINA BUENO DE MATTOS NASCIMENTO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 19/12/2023

Bom dia, Moyses. Sim, vacas Holandesas preto e branca apresentam uma correlação entre cor da pele e a cor do pelame. Assim, no local de pelame preto, a pele é bem pigmentada, e onde o pelame é branco tem pele pouco pigmentada. Então, quando estão em sistema a pasto e a longo prazo poderá desenvolver câncer de pele.
Marcos Adelino de Oliveira Silva Fazenda perobas
MARCOS ADELINO DE OLIVEIRA SILVA FAZENDA PEROBAS

CARMO DO PARANAÍBA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 11/02/2024

Pois é, por isso o nelore é tão eficiente, pele preta e pelos brancos, uma pena que não é leiteiro.
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